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PM Rui Araujo
Investir no futuro de Timor-Leste
FUTURO
Timor-Leste acolheu a mais recente reunião trilateral da plataforma para o Desenvolvimento Económico Sub-Regional Integrado entre Timor-Leste, Indonésia e Austrália

Ai-han Timor Nian
Ramos-Horta
"Tantangan Timor Leste Makin Berat"
ECONOMIA
"..fo-hanoin ba ukun nain sira nebe tinan tinan truka hela deit ministrus, atu hare ba povu nia moris nebe "kuaze 50%" povu sei moris iha linha pobreza nia laran..."
Australia-Timor Leste
Notre Dame students experience the world and help those in need in Timor-Leste
Empresários - Timor Telecom
Empresários timorenses e fundo das Fiji na corrida pela Timor Telecom
Timor-Leste - BAII
Timor-Leste inicia processo de adesão ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas
Timor-Leste - Maluku
Maluku kaji kerja sama dengan Timor Leste

sábado, 29 de novembro de 2008

Entrevista de Xanana Gusmão à TSF...

... com várias informações sobre planos futuros para a economia de Timor-Leste e a possível cooperação de empresas portuguesas. Ouvir aqui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fundo de Petróleo do Timor terá US$ 4 bilhões em dezembro

Lisboa, 27 nov (Lusa) - O Fundo de Petróleo que o Timor Leste mantém no Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) atingirá, em dezembro, US$ 4 bilhões, disse à Agência Lusa o ministro timorense das Relações Exteriores, Zacarias da Costa.
O chanceler adiantou que 10% desse fundo deve ser investido na Europa, que vai administrar essa parte já em euros."Queremos diversificar o nosso portfólio.
O nosso fundo está nos Estados Unidos, investido nos títulos da dívida pública. Mas, com a recente crise, com a flutuação do dólar no mercado, com toda a situação internacional, vamos diversificar e estamos olhando para isso", afirmou.
"Gostaríamos que as empresas portuguesas, sobretudo do setor da banca e com grande experiência, pudessem fazer uma parceria conosco e gerir este dinheiro, bem como investi-lo também em euros, para não investirmos só em dólares", disse o chefe da diplomacia timorense.Zacarias da Costa lembrou que, em termos orçamentários, o governo de Díli tira todos os anos 3% do chamado "rendimento sustentável", mais concretamente o "rendimento sustentável estimado"."É este montante que estamos a tirar para financiar o nosso orçamento. Estes 3% juntam-se às receitas domésticas, que estimamos para o próximo ano em US$ 90 milhões ", disse.
Ainda em relação ao setor bancário, o chefe da diplomacia timorense lembrou que, com o banco estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), estão em andamento negociações para a atribuição de linhas de crédito bonificadas, havendo a possibilidade de o banco português abrir uma em breve, no valor de US$ 100 milhões.
"Foram apresentadas propostas de quatro diferentes opções de apoio, que seriam linhas de crédito e apoio a diversos setores, sobretudo o privado. As propostas não são finais, vamos discutir, até cerca de US$ 100 milhões com juros bastante bons", afirmou.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pequeno país, Timor tem tudo para ser grande, afirma afirma premiê

Lisboa, 27 nov (Lusa) – O Timor Leste "é um pequeno país mas que em tudo pode vir a ser grande", garantiu quarta-feira em Lisboa o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão (dir.).
O líder timorense, que intervinha num encontro com cerca de 300 pessoas no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, aproveitou a ocasião para destacar os avanços alcançados pelo seu governo, no poder há 15 meses, em comparação com o "triste legado" deixado pelos anteriores executivos.
Xanana Gusmão iniciou quarta-feira uma visita oficial de dois dias a Portugal, a primeira desde que, em agosto de 2007, passou a liderar o executivo timorense, encabeçando uma coligação parlamentar que lhe garante a maioria absoluta no parlamento timorense.
"Neste momento, grandes são as expectativas e grandes são os desafios", afirmou Xanana Gusmão, comentando o fato de nos últimos dois anos o país ter andado de novo nas "bocas do mundo".
"Nestes dois últimos anos, Timor Leste andou de novo pelas bocas do mundo e muito se disse, e se escreveu, sobre o nosso país. Inclusivamente que nos íamos transformar num Estado falhado ou ficar reféns de poderosos interesses globais, políticos e econômicos", disse.Comparando o que já foi feito em termos de crescimento econômico, combate à pobreza e estabilidade política e de segurança, em relação ao que classificou como "triste legado" dos anteriores governos, Xanana Gusmão destacou o "novo ciclo de vida do Timor Leste", que disse ser "por si só um grande progresso".
A coligação parlamentar que lidera "definiu um projeto político reformador e deu prioridade à estabilidade e segurança nacional, à recuperação econômica e melhoria das condições da população, resgatando-a da pobreza".
"Sentimos que muito se fala do Timor mas de uma forma irresponsável", salientou ainda, referindo-se ao artigo na edição de terça-feira no diário português Público, que define Timor Leste como "Um País Insustentável".
"Em apenas 15 meses Timor Leste assistiu já a uma mudança fundamental: houve mudança na mentalidade nacional", frisou.Socorrendo-se do relatório sobre a pobreza divulgado quarta-feira em Díli, um documento elaborado conjuntamente pelo Banco Mundial e pelo Ministério das Finanças timorense, Xanana Gusmão lamentou o fato de os anteriores governos não terem adotado "medidas concretas" para o desenvolvimento do país.
"Estamos mais pobres do que estávamos há cinco anos atrás", frisou.O relatório salienta que a pobreza aumentou significativamente no país entre 2001 e 2007.
"O governo anterior simplesmente falhou em gerir a economia e em providenciar oportunidades para o nosso povo. O resultado está à vista de todos, cerca de metade da população vive com menos de 0,60 centavos de euro diários e deste, metade são crianças", explicou.Xanana Gusmão citou ainda que o seu governo vai continuar a lutar pela construção do gasoduto no sul do país, em alternativa à solução australiana.
"Este projeto, a somar à criação de uma companhia petrolífera nacional corresponde à potencial criação de mais emprego e de crescimento econômico", justificou."Estamos preparados para ganhar mais esta guerra.
Esta guerra fria na defesa dos nossos recursos", garantiu."Estamos prontos para demonstrar que é possível desenvolver o nosso país e estamos também prontos para receber o investimento privado, dos que querem aproveitar esta oportunidade", adiantou.A este respeito anunciou a existência de um pacote legislativo sobre investimento, uma lei tributária "aliciante", bem como legislação "vantajosa" sobre o arrendamento de terrenos".
"E temos finalmente a segurança que não tínhamos", frisou."Timor Leste pode e vai ser grande", concluiu.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Relatório sobre a Pobreza em Timor Leste

O relatório sobre a pobreza referido na 'entrada' abaixo e divulgado hoje em Dili pode ser obtido aqui (em inglês; via InfoTimor).

Fonte: A.M.Almeida Serra

Comunicado do Conselho de Ministros sobre o OGE 2009

Acaba de ser divulgado pelos serviços de imprensa da Secretaria de Estado do Conselho de Ministros um comunicado sobre a aprovação, hoje, da proposta de Orçamento Geral do Estado para 2009 a enviar ao Parlamento Nacional para decisão. Reproduz-se ao lado o essencial desse comunicado.Notem-se as verbas nele referidas, nomeadamente (em milhões de USD):
- Total das receitas: 1344
- Total das despesas: 681
- Rendimento Sustentável: 408
- Excesso do rendimento Sustentável a levantar: 181 (total dos levantamentos do Fundo: 589 milhões de USD)
Voltaremos ao assunto mas registe-se, para já:
i) a não referência à utilização de empréstimos como fonte de financiamento
ii) o voltar a recorrer-se a levantamentos do Fundo Petrolífero superiores ao rendimento sustentável o que, se não for devidamente justificado de acordo com a Lei do FP, poderá voltar a criar problemas com o Tribunal de Recurso.
Fonte: A.M. Almeida Serra

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Timor-Leste A ilha insustentável


Timor-Leste A ilha insustentável

25.11.2008, Pedro Rosa Mendes, especial para o PÚBLICO


Este é o retrato implacável de uma realidade que não podemos continuar a fingir que não existe. Estas são algumas das verdades, duras como punhos, sobre um país que sonhou ser diferente - e nos fez também sonhar


1. Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década

Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado.O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999.O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou.O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos.Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.


2. A "identidade maubere" é uma ficção dispendiosa

A identidade "nacional" do espaço político timorense não existe, como explicam os bons historiadores, que sempre referem no plural os "povos" de Timor. Sob o mito do "povo maubere" existe um mosaico de dezena e meia de entidades etnolinguísticas que se definem por oposição (em conflito, separação, desconfiança, distância) ao "outro", mesmo em aliança. O "outro" de fora, ou o "outro" de dentro. É um tipo de coesão circunstancial e oportunista que morre com o conflito, engendrando a prazo outros conflitos, em ciclos de calma e crise numa ilha com paradigmas medievais.A gesta "maubere" produziu, finalmente, uma inversão cronológica. A RDTL é uma cristalização política de uma sociedade que teve alforria de Estado antes de construir uma identidade que o sustentasse.A filiação de cada timorense continua a ser à respectiva "uma lulik" (casa sagrada) e às linhagens que definem outros territórios e outras leis que não passam por ministros, juízes nem polícias, mas por monarcas, oligarcas e chefes de guerra. É isto que os líderes tentam ser - ou, de contrário, não são.


3. O Estado independente é sabotado pelas estruturas da resistência

O Estado timorense funciona. Não significa, porém, que produza algum resultado, exceptuando a Autoridade Bancária de Pagamentos, única instituição onde a aposta na localização de quadros e a recompensa do mérito fizeram do futuro banco central um oásis de probidade nórdica.As estruturas operativas do país são paralelas, oficiosas e opacas. Vêm do tempo da resistência e não houve coragem ou inteligência para as formalizar no jovem Estado.Um caso óbvio é o dos veteranos das Falintil que não integraram as novas Forças de Defesa (FDTL). Em 2006, foi a 200 desses "civis" que o brigadeiro-general Taur Matan Ruak recorreu num momento crítico de sobrevivência do Estado. O Estado-Maior timorense está, porém, a contas com a justiça. Se passar da fase de inquérito, talvez o processo das armas e da milícia "20-20" abra um debate que devia ter acontecido antes. O lugar das "reservas morais" tem de ser formalizado, sob pena de não haver linha de separação entre patriotismo e delinquência. O major Alfredo Reinado ilustrou, de forma trágica, a facilidade deste salto.As estruturas paralelas, porém, não são exclusivo do sector de segurança. O ex-comandante Xanana Gusmão não esconde que a Caixa, a rede clandestina de "inteligência", continua activa. As fidelidades, mas também os reflexos e atavismos da resistência, continuam em vigor. A "velha" voz de comando é, por vezes, a última instância e, mesmo em Conselho de Ministros, o último argumento é por vezes o voto de qualidade por murro na mesa.José Ramos-Horta, diasporizado das Falintil e do mato até 1999, não tem cão mas caça com gato. O chefe de Estado, em linha com os símbolos maçónicos debruados nas suas camisas, é desde há dois anos o segundo "pai" da Sagrada Família. É uma sociedade fundada em 1989 pelo comandante Cornélio Gama "L7", que evoluiu para uma combinação algo mística de grupo religioso, partido político e milícia justiceira. Foi "L7", com a bênção de Xanana Gusmão, que apresentou a candidatura de Ramos-Horta à Presidência em Fevereiro de 2007, em Laga. Vários elementos da Sagrada Família integram a guarda do chefe de Estado.A República timorense é limitada e sabotada pela recorrência do ocultismo, apadrinhamento, vassalagem e mentalidade de célula. No entanto, se não fossem as redes informais de confiança e de comando, por onde passam também os códigos de fidelidade e os valores de grupo, a RDTL já teria implodido.Versão moderna dos Estados dentro do Estado: a última contagem, confidencial, dá conta de 350 assessores internacionais junto do IV Governo Constitucional.


4. A estratégia dominante na sociedade está tipificada no Código Penal. Chama-se extorsão

A simpatia pela "causa" timorense estagnou num ideal de sociedade e de pessoa que é desmentido pela frustrante experiência quotidiana. Ignorância, trauma, miséria e negligência, polvilhados com os venenos da complacência, paternalismo e piedade, banalizaram comportamentos de rapina, desonestidade, egoísmo e má-fé. A solidariedade, a generosidade e a gratidão estão em minoria. O que é marginal ou criminal noutros sítios faz, no Timor de hoje, catecismo nas repartições, nos negócios, no mercado, no trânsito, no lar.A "liderança histórica" reina sobre um país intratável, em passiva desobediência civil, que pensa e age como se todo o mundo lhe devesse tudo e como se tudo estivesse disponível para ser colhido, do petróleo ao investimento e à atenção internacional. A cobiça e a inveja social infectam a esfera política, social, laboral e até familiar. "Aqui todos mandam e ninguém obedece", para citar um velho timorense educado em princípios que deixaram de ter valor corrente no seu país.A "estabilidade" actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes.Todo esse dinheiro nada produz. Algum sai para a Indonésia, que os novos-ricos timorenses consideram um sítio mais seguro para investir. O que fica compra motorizadas e telemóveis. A Timor Telecom vai fechar o ano com 120 mil clientes na rede móvel, 12 por cento da população, uma taxa ao nível de países com o triplo de rendimento per capita do timorense.A maioria dos timorenses não paga o que consome: água, electricidade (por isso o consumo aumenta 25 por cento ao ano, um ritmo impossível de acompanhar por qualquer investimento nas infra-estruturas), casa, terra, crédito, arroz. Este modelo de pilhagem e esbanjamento é insustentável na economia, na banca, na ecologia, na demografia e, a prazo, até na política.


5. A ocupação indonésia foi implacável e a liderança timorense desmantela com zelo o que restava: a dignidade

O gangster mais conhecido do submundo de Jacarta nos anos 1990 - o timorense Hércules - é, hoje, o dono de obra no melhor jardim da capital. Os condenados por crimes contra a humanidade, como Joni Marques, da "Tim Alfa" (pôs Portugal de lenço branco em Setembro de 1999 com um massacre de freiras e padres), voltam às suas aldeias com indemnizações por casas que foram queimadas, enquanto eles estavam na prisão.Na Comissão mista de Verdade e Amizade (CVA), foi a parte timorense, perante a surpresa indonésia, que tentou conseguir uma amnistia geral para os crimes de 1999, com uma persistência de virar o estômago.O relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), uma monumentae historica de 24 anos de dor em sete volumes, espera há três anos a honra de um debate no Parlamento. Duas datas estiveram marcadas em Novembro, mas, nos bastidores, os titulares políticos tentam obter uma prévia sanitização das recomendações da CAVR.Mari Alkatiri, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta, ao sectarizar a memória da violência, desbarataram o capital obtido à custa de duzentos mil mortos (incluindo os seus entes queridos). A herança do genocídio é aviltada na praça como capital de risco e como cartão de visita. O resultado é uma distopia moral, um abismo de proporções tremendas em que se afunda um país cuja soberania teve, afinal, uma legitimidade essencialmente moral no seu contexto geográfico e histórico.Os mortos são a parte nobre de Timor, merecedores de tributos em rituais, lutos e deslutos. Mas nesta terra de cruzes, valas comuns e desaparecidos, não houve ainda a caridade de 200 mil euros para instalar um laboratório de ADN que permitisse, enfim, devolver os ossos ao apaziguamento dos vivos.A injustiça e a impunidade são valores seguros em Timor-Leste.


6. Timor fala todas as línguas e nenhuma

Timor é uma ficção lusófona onde a língua portuguesa navega contra uma geração culturalmente integrada na Indonésia, contra a geografia, contra manipulações políticas internas e contra a sabotagem de várias agências internacionais. A reintrodução do português só poderá ter êxito com a cumulação de duas coisas: firmeza política, em Díli, sobre as suas línguas oficiais; massificação de meios ao serviço de ambas.O Instituto Nacional de Linguística tem 500 dólares de orçamento mensal (exacto, seis mil USD por ano).Na "Babel lorosa'e", como lhe chamou Luiz Filipe Thomaz, não se fala bem nenhuma das línguas da praça (tétum, português, inglês, indonésio). Uma língua é a articulação de um mundo e do nosso lugar nele. Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis.Aos poucos bancos com balcão em Díli (três) chegam projectos de investimento estrangeiro cujos planos de amortização não prevêem mão-de-obra timorense ou que contam os timorenses como peso-morto na massa salarial, ao lado de operários ou técnicos importados que responderão pela produção.

7. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável"

Diz um diplomata que gosta do teatro de sombras javanês: "A ONU em Díli está em sintonia com os dirigentes timorenses. Todos fabricam fantasmas: o grande estratego, o grande diplomata, o grande guerrilheiro. Se não fosse assim, as máscaras cairiam e seria um grande embaraço..."A UNMIT, uma das missões mais caras da ONU, afunda-se penosamente no mesmo vazio moral da liderança timorense. Três mil funcionários, polícias e militares, uma massa crítica formidável que poderia ser um contrapeso à incompetência e à insensatez, são esmagados pelo cabotinismo carreirista do chefe de missão, Atul Khare, e de acólitos que acham bem em Timor aquilo que jamais admitiriam nos seus países desenvolvidos. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável", explicou um alto-funcionário da UNMIT.

8. Não há nenhuma bandeira de Portugal no mar de Timor

Não há interesses portugueses em Timor-Leste, porque não há condições objectivas mínimas para fazer vingar qualquer interesse mensurável. Não, decerto, pelos critérios que vigoram em qualquer outro lado. Seria bom que isto fosse entendido pelos nossos responsáveis políticos. Portugal concedeu mais de 440 milhões de euros de 1999 a 2007 em ajuda ao desenvolvimento a Timor-Leste, que consome quase metade do bolo total da nossa cooperação.Continuando uma tradição portuguesa, as projecções pós-imperiais e os fascínios com sucessivos aprendizes de Mandela ganham precedência sobre as informações que chegam dos operadores económicos no terreno. "Mas você nunca ouvirá um governante português dizer nada contra Timor", dizia, este ano, à mesa do café, um governante português de visita.

9. "Tudo ainda não aconteceu"

A ferida feia no corpo de Ramos-Horta, quando o Presidente jazia numa poça de sangue depois de levar dois tiros de cano-longo, é um buraco tão fundo como a vergonha da nação. A ressurreição do profeta-Nobel criou um Cristo gnóstico mas as chagas, nesta terra dilacerada, já não fundam religiões com a facilidade com que há dez anos fundavam Estados.Díli, como um circo máximo de gladiadores, fervilha de jovens empurrados para a luta. Não têm emprego, educação ou perspectiva. Alguém lhes diz: "Não sois bandidos. Sois guerreiros." Mas dos aswain, os heróis das montanhas timorenses, resta-lhes a coragem física, um retalho de rituais dispersos por grupos rivais e a intransigente sacralização do seu território. Uma mistura inflamável para toda a nação. "A resistência continua mas agora sem rumo. E, sem rumo, só faz merda", diz o ex-assessor de Ramos-Horta para a Juventude José Sousa-Santos."Tudo ainda não aconteceu", avisava um "espírito" antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005.
Díli, Novembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

World Bank to Help Mitigate Impact of Global Financial Crisis on Africa’s Development

WASHINGTON, November 19, 2008 – The World Bank has reiterated its commitment to providing the support needed by African countries to minimize the negative impact of the global financial crisis on growth and poverty reduction.
In a statement to World Bank teams working on the ground in African countries, Africa Region Vice President Obiageli Ezekwesili called for a scale-up in activities aimed at identifying needs of the Bank’s client countries, reviewing Bank programming and projects in the region and determining additional Bank response.
“We must determine what we have to do differently on a needs basis to support any request by our country clients,” Ezekwesili said. Bank teams are expected to report country needs associated with the financial crisis over the next few weeks
World Bank Group response to the crisis
Already, the World Bank is taking key measures to protect developing nations from the global crisis, which has affected countries from Germany and Iceland to South Africa and Australia. Through the International Development Association (IDA), with donor contributions of $42 billion over the next three years, the Bank is working with the world’s poorest countries to accelerate support as needed.
Lending from the World Bank Group’s International Bank for Reconstruction and Development (IBRD) is also expected to triple to more than $35 billion compared to $13.5 billion last year to meet additional demand from developing country partners.And, through its International Finance Corporation (IFC), the Bank is ramping up support to the private sector through the launch or expansion of key initiatives totaling around $30 billion over the next three years. Among the initiatives, a new Infrastructure Crisis Facility, which would provide financing for privately-funded infrastructure projects facing financial distress
African finance ministers call for support
Ezekwesili’s call to urgent action follows an appeal issued by more than 50 African ministers of finance and planning, as well as central bank governors, who met in Tunis, Tunisia, November 13-14 ahead of the G-20 Summit on Financial Markets and the World Economy in Washington on November 15.Co-organized by the African Development Bank (AfDB), the African Union (AU) Commission and the Economic Commission for Africa (ECA), the meeting was convened to discuss the global financial crisis and to consider options for mitigating its likely impact on African economies.
“We call upon (international financial institutions) to be ready to provide appropriate support, in an expeditious and flexible manner, to African countries in case of contagion,” the final communiqué of the conference read in part.
The crisis is “undermining the significant progress” made by Africa over the last ten years and, “further exacerbates the impact of the recent sharp increase in food prices and volatility in the oil markets,” the communiqué added.
Ezekwesili praised the “candor” of the conference which concluded that the global slowdown has dampened growth prospects for Africa by diminishing “trade opportunities, access to finance, migrant remittances and foreign direct investment”.
Impact on Africa
The financial crisis is threatening to turn back the clock on progress achieved during decades of reforms that have geared economic policy toward ensuring Africa is a more attractive destination for private capital. The crisis has triggered quick depreciation of currencies and major declines in stock market prices with foreign investors in securities and equities selling off large shares of their holdings.
The impact of the global financial crisis and ensuing recession on Africa will be three-fold, according to World Bank Chief Economist for Africa Shanta Devarajan.
“First, a slowdown in private capital flows will adversely affect economies that had been relying on these flows to finance much-needed investment, particularly infrastructure investment. Already Ghana and Kenya have postponed sovereign bond issues worth about $800 million,” he said. “Second, commodity prices are falling, which hurts exporters but helps importers.”
“Third,” he said, “remittances, which run at about $15 billion a year to Africa, and foreign aid, are likely to be affected.”
According to Devarajan, the World Bank Group’s response is to deploy its full panoply of instruments – knowledge assistance, front-loading IDA, IBRD lending, IFC investments and guarantees – to maintain Africa’s growth and poverty reduction momentum.
World Bank assisting its African partners
African ministers and bankers attending the Tunis conference praised the Bank for its role in keeping Africa’s interest on the global agenda; and for the measures it has taken on “possibilities of frontloading for IDA countries and also the IBRD tripling.”
Agreeing with Ezekwesili’s call on African countries to stay the course of market reforms that have stood them in good stead in the recent past, the Tunis conference underscored the need for comprehensive reforms at the Bretton Wood Institutions (the World Bank Group and the International Monetary Fund) to ensure that they “can more adequately reflect changing economic realities in the global economy and be more responsive to future challenges.”

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ora vamos lá a contas (do FP) - 2

Segundo as estatísticas monetárias de Timor Leste o Fundo Petrolífero terá atingido um valor (de capital) de cerca de 3,9 mil milhões (3,9 biliões para alguns...) no final do mês passado.De notar que as variações mensais do valor do capital não têm sido muito pronunciadas nos últimos meses, situando-se nos cerca de 200 milhões de USD de acréscimo mensal. Quase 7 milhões por dia...


Por razões que se devem prender com os timings dos pagamentos das empresas em relação à data da produção/venda, a forte descida do preço do petróleo nos mercados internacionais desde há algum tempo ainda não começou, aparentemente, a reflectir-se no volume de receitas. Esperem pela pancada...

Fonte:A. M. de Almeida Serra

Ora vamos lá a contas (do FP)

Segundo o recente Acórdão do Tribunal de Recurso o Governo está autorizado a levantar dinheiro do Fundo Petrolífero até ao montante de 396,1 milhões de USD.
Até ao momento, no entanto, levantou apenas 220 milhões, dos quais 140 no terceiro trimestre deste ano e 80 em Outubro. O La'o Hamutuk informou recentemente que teriam sido transferidos mais 80 milhões em Novembro. A transferência estará prevista mas não foi ainda concretizada.A concretizar-se esta última transferência a soma total a transferir até ao final deste mês será de 300 milhões de USD, "sobrando" 96,1 milhões em relação à autorização parlamentar para movimentar os dinheiros do Fundo Petrolífero.
O que fará o Governo em Dezembro? Deixa os 96,1 milhões na conta do Fundo ou vai requerer que se efective a sua transferência não por dela necessitar para efectuar pagamentos este ano mas sim para aumentar o seu pecúlio depositado no banco central a fim de fazer face a despesas em 2009?
Fonte:A. M. de Almeida Serra

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Statement by World Bank Group President Robert B. Zoellick on the Summit of G20 Leaders

Washington DC., Nov.15, 2008—“This summit of G-20 leaders and the G-20 meeting of finance ministers last weekend have begun to lay a productive foundation of discussion, input, and agreement. What matters now are the follow up actions. People are looking to leaders for a global, coordinated and fast response.
If September and October were about coordinated and cooperative monetary policies, then November and December will be increasingly about starting fiscal stimulus. China’s recent $580 billion stimulus package was well timed and shows leadership. Further decisive actions will be needed. Such actions must take into account the interests of the poor and most vulnerable in developing countries.
Last month I called for a reform of the G7 and for a modernized multilateralism to better reflect the realities of the 21st century. It is a positive step forward that leaders of developed economies are now meeting together with leaders from the rising economic powers. But the poorest developing countries must not be left out in the cold. We will not solve this crisis, or put in place sustainable long-term solutions by accepting a two-tier world.
I welcome the reaffirmation by the Heads of Government of the importance of the Millennium Development Goals and their commitment to honor their pledges of overseas aid. If we are going to avert a human crisis, we will have to do more. At $100 billion a year, the amount spent on overseas aid is a drop in the ocean compared to the trillions of dollars that are now being spent on financial rescues in the developed world.
The World Bank Group will continue to stretch by expanding our funding, ideas, innovative products and partnership to help developing countries. I am encouraged by the leaders’ commitment to ensure that we have sufficient resources to undertake this task.
I also welcome the commitment to increase the voice and representation of emerging and developing economies in the governance structure of the Bretton Woods institutions. Though management can make proposals, ultimately the decision on the size and timing of reforms rests with shareholders. I hope that some bold steps can be taken to build on the preliminary reforms agreed at last month’s Annual Meetings.
I am also pleased to see the commitment of the G20 leaders “to strive to reach agreement this year on modalities that leads to a successful conclusion to the WTO’s Doha Development Agenda with an ambitious and balanced outcome”. The best way to resist protectionist measures is to advance measures to open markets.”
Fonte: Worldbank.com

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Realidade (económica mundial) e suas imagens

Acaba de ser publicado pelo FMI um update ao seu World Economic Outlook de Outubro passado. Por ele se pode constatar que a instituição estima agora que o crescimento económico das economias mais avançadas vai ser, em 2009, de... -0,3% (isso! um de-crescimento da produção de 0,3%!) depois de em 2007 ter sido de 2,6% e de se estimar que em 2008 será de 1,4%.
Fonte:A. M. de Almeida Ser

Como vamos de contas com o Orçamento e o seu financiamento pelo Fundo Petrolífero?

Como vamos de contas com o Orçamento e o seu financiamento pelo Fundo Petrolífero?
Na entrada anterior em que se dá conta da publicação do relatório do Fundo Petrolífero relativo ao 3º trimestre de 2008 refere-se que durante esse período foram transferidos para a conta do Governo, de onde sai o dinheiro para pagar as despesas feitas e previstas no OGE, 140 milhões de USD.
Por sua vez, sabe-se que durante o primeiro semestre foram transferidos... 0 ! Isso: zero!Temos então que dos 688,8 milhões de USD (dos quais 291 para além do "rendimento sustentável") que estava autorizado pelo Parlamento Nacional a requisitar ao Fundo Petrolífero o Governo apenas "levantou", até agora, os referidos 140 milhões.
Por outro lado, sabemos também, pelas Estatísticas Monetárias do país determinadas pelo seu banco central (a Autoridade Bancária e de Pagamentos), que a evolução dos saldos da conta do Governo foi como ilustrado no gráfico abaixo.

Face ao que fica acima, admitimos ser provável que o Estado precise ainda de levantar mais algum dinheiro do Fundo para fazer face às suas despesas até ao final do ano.Não sabemos, claro, quanto estará em causa mas uma coisa parece evidente: vai-se ficar (pelo menos espero que sim...) bem longe do valor legalmente autorizado e, mesmo, dos quase 400 milhões que correspondem ao "rendimento sustentável" tal como recalculado aquando da apresentação da rectificação do OGE inicial de 2008 a meio deste ano.A não ser que --- o que não é impossível... --- o Governo decida aproveitar a autorização vigente para reforçar significativamente a sua conta bancária e fazer assim um (chorudo?) "pé de meia" que lhe permita financiar uma parte do Orçamento de 2009.Esperamos para ver... Até porque o Governo não deixará, certamente, de ter em conta a queda de receitas do Fundo resultante da actual descida do preço do petróleo e que, segundo o FMI, se prevê traduzir-se no próximo ano num preço médio do barril próximo do seu nível actual, ligeiramente abaixo dos 70 USD/barril.

PS - claro que com isto tudo uma pergunta nos fica a bailar na cabeça: justificar-se-á a política de gestão orçamental que tem sido seguida de "ter mais olhos que barriga", de sobre-orçamentar tudo?

Fonte:A. M. de Almeida Serra

Último relatório trimestral do Fundo Petrolífero

Último relatório trimestral do Fundo Petrolífero
Foi divulgado hoje o relatório trimestral do Fundo Petrolífero referente ao terceiro trimestre de 2008 (Jul-Set 2008).Nesse período o capital do Fundo passou de 3203 mil milhões de USD para 3738 mil milhões, um aumento de cerca de 16,7% (+535 mil milhões em 3 meses; cerca de 500 USD por cada timorense).Durante o período foi transferida para o Orçamento de Estado uma verba de 140 milhões de USD. As entradas globais de impostos e royalties foram de quase 480 milhões USD.Apesar da crise financeira internacional e contrariamente ao que se verificou em outros casos de "fundos soberanos" como o de Timor-Leste, foi possível obter um rendimento positivo (ainda que moderado) da carteira de títulos: 1,64%, contra os 1,71% da carteira tomada como benchmark para comparação de rendibilidade.Este valor positivo fica a dever-se ao facto de a carteira ser constituida integralmente por títulos do Tesouro dos Estados Unidos (equivalentes a empréstimos de Timor-Leste aos EUA), de rendimento fixo, pois os "fundos soberanos" em que o peso dos títulos de rendimento variável (normalmente acções de grandes empresas multinacionais) é grande tiveram prejuízos.Note-se, porém, que a perspectiva com que estes Fundos estão no mercado é essencialmente de médio-longo prazo e por isso eventuais perdas no curto prazo --- como as que se registaram ultimamente --- tenderão (hopefully...) a ser "absorvidas" no futuro, assegurando um rendimento positivo num horizonte de (pelo menos) 3 a 5 anos.
Fonte:A. M. de Almeida Serra

domingo, 9 de novembro de 2008

Presidente do Banco Mundial: consenso sob necessidade de reforma do sistema começa a impor-se

Todos os países avançam para uma zona de perigo”,
avisou o presidente do Banco Mundial
Presidente do Banco Mundial: Consenso sob necessidade de reforma do
sistema começa a impor-se
Crise financeira
09.11.2008 - 11h40
Por Lusa

Os países do G20 estão perto de um consenso sobre a necessidade de reformar o sistema financeiro, numa altura em que as economias estão a entrar “numa zona de perigo”, afirmou ontem o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick.Falando aos jornalistas, à margem da reunião ministerial do G20 em São Paulo, no Brasil, que reúne os países mais avançados do Mundo e os grandes países emergentes, Zoellick afirmou que todos defendem a necessidade de uma resposta coordenada à crise financeira mundial.
No entanto, Zoellick sublinhou que a criação de uma nova arquitectura financeira levará tempo. “Praticamente nenhum país é poupado (...). Todos os países avançam para uma zona de perigo”, avisou o presidente do Banco Mundial.“Estes desafios globais pedem soluções globais”, considerou. “Necessitamos de modernizar o sistema multilateral de modo a que importantes países em vias de desenvolvimento, como o Brasil, possam fazer ouvir a sua voz”, sublinhou.
Mudanças visíveis em dois anos
Robert Zoellick considerou que, “dentro de dois anos, vai-se assistir a verdadeiras mudanças no sistema mundial”.Questionado para saber se a reunião de São Paulo vai nesse sentido, Zoellick sublinhou que “é demasiado cedo para o dizer”.O presidente do Banco Mundial acredita que a situação poderá ficar mais clarificada após a cimeira do G20, a 15 de Novembro em Washington.“Penso que se trata de período de indecisão em que as pessoas tentam ter uma ideia de uma boa conjugação de países e instituições que permitam resolver os problemas de uma forma ao mesmo tempo eficaz e legítima”, sublinhou Zoellick.

G20 defendem acção coordenada de combate à crise financeira

O G20 querem que o FMI tenha um papel
dominante na minimização do risco
de uma eventual nova crise

G20 defendem acção coordenada de combate à crise financeira
Cimeira termina no Brasil
09.11.2008 - 17h19
Por AFP



A reunião ministerial do G20 terminou hoje em São Paulo com uma posição consensual sobre a necessidade de uma acção coordenada que combata a crise financeira mundial, garantindo da sua parte que irão ser tomadas medidas “para restaurar a confiança e a estabilidade dos mercados”.
No final do encontro, o ministro das Finanças brasileiro, Guido Mantega, disse aos jornalistas que os detalhes dessa acção coordenada ainda não foram finalizados e que ainda falta um acordo quanto às propostas para aumentar o regulamento dos mercados financeiros.
Também o titular da pasta das Finanças no governo britânico, Steve Timms, confirmou que os ministros e os bancos centrais dos países do G20 chegaram a um acordo sobre a necessidade de uma reforma das instituições financeiras internacionais perante a crise que afecta as economias mundiais.Christine Lagarde, ministra das Finanças francesa, assegurou igualmente, no final da cimeira, que os países do G20 manifestaram no encontro em São Paulo “uma convergência com vista a uma resposta a curto prazo” à crise, sublinhando o consenso sobre a “necessidade absoluta” de restabelecer os circuitos financeiros.
Num comunicado divulgado após a reunião ministerial, os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos países do G20 anunciam que decidiram “tomar todas as medidas necessárias para restaurar a confiança e a estabilidade dos mercados e minimizar o risco de uma eventual nova crise”.
Na nota final é ainda defendido que o Fundo Monetário Internacional (FMI) “deve ter um papel dominante nessa tarefa, em conformidade com o seu mandato”.A reunião ministerial, que decorreu este fim-de-semana, teve como principal objectivo preparar a cimeira de 15 de Novembro, em Washington, que deverá definir acções colectivas para responder à pior crise financeira mundial desde 1929, que originou a grande depressão económica dos anos 30.



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Revisão das projecções para maiores economias mundiais FMI


FMI agrava projecções e antecipa recessão em nove dos países mais ricos do mundo


A equipa do FMI, liderada por
Dominique Strauss-Kahn,
apela à aplicação de planos de
estímulos às economias para
se evitar males ainda maiores


06.11.2008 - 15h56
Por Eduardo Melo
Novo relatório divulgado hoje
A rápida deterioração da actividade económica e financeira dos países desenvolvidos nos últimos meses obrigou o Fundo Monetário Internacional a rever as projecções apresentadas há um mês, apontando agora para uma contracção média de 0,25 por cento da riqueza a criar no próximo ano, um corte de 0,75 pontos percentuais em relação à anterior projecção.Num comunicado hoje divulgado, o FMI relembra que esta é a primeira vez, no pós segunda Grande Guerra de 1939-45, que as economias desenvolvidas entram em contracção da riqueza, apelando a políticas de “estímulos económicos” por parte dos governos

Para nove das maiores economias mundiais, incluindo os EUA, a Alemanha, o Reino Unido, a França, a Espanha e o Japão, o Fundo projecta quedas do Produto Interno Bruto que vão desde os 0,3 por cento dos EUA e os preocupantes 1,3 por cento do Reino Unido.Alguns destes países são os principais parceiros comerciais de Portugal na Zona Euro, pelo que a contracção anual, no próximo ano, de 0,7 por cento da Espanha, de meio por cento da França e de 0,8 por cento da Alemanha irão naturalmente penalizar a economia portuguesa – para a qual não existe uma actualização do seu PIB neste relatório de Novembro.
No caso espanhol, os técnicos do FMI antecipam a recessão económica (descida de 0,2 por cento do PIB) já para este ano, decorrente da crise aguda do mercado imobiliário e do sector da construção civil, acentuada pela crise financeira internacional.No conjunto das economias desenvolvidas, a projecção do FMI aponta para uma queda de 0,3 por cento no próximo ano, contra uma progressão de 1,4 por cento deste ano.As economias emergentes, que irão crescer 6,6 por cento este ano e 5,1 por cento no próximo, irão continuar a suportar alguma pujança mundial – que apresenta projecções de 3,7 por cento este ano e de 2,2 por cento em 2009.

Hoje, como evitar um pensamento para ele?

Martin Luther King "I have a dream"
1963

Veja e ouça o discurso dele "I have a dream" (1963)! Leia-o aqui.
Fonte:A. M. de Almeida Serra

Os 7 desafios do novo Presidente americano

HELENA TECEDEIRO

Ainda antes de tomar posse, a 20 de Janeiro, o sucessor de George W. Bush na Casa Branca terá de começar a preparar resposta para problemas tão graves como as guerras no Afeganistão e no Iraque ou a crise financeira internacional.

Guerra ao terrorismo

Mais de sete anos depois do 11 de Setembro e de o Presidente George W. Bush ter dito que queria Ben Laden "vivo ou morto", o líder da Al-Qaeda continua a monte. Pior ainda, no Afeganistão, a guerra travada com o apoio da comunidade internacional e que pôs fim ao regime talibã está cada vez mais longe da vitória. Os fundamentalistas islâmicos voltaram a dominar grande parte do país e a sua influência estende-se até ao vizinho Paquistão, onde ameaça o novo regime civil. As forças no terreno, dos EUA e da NATO, são manifestamente escassas. Mas onde ir buscar reforços? O Iraque parece ser a resposta. Depois de cinco anos, esta outra guerra, travada sem apoio da comunidade internacional, parece finalmente correr menos mal. Com o aumento das tropas diminuiu a violência que já matou centenas de milhares de iraquianos e 4100 militares americanos. Ao sucessor de Bush caberá por um lado garantir o sucesso do regime democrático implantado no Afeganistão, por outro assegurar que sunitas, xiitas e curdos se mantêm unidos no Iraque e que as próximas eleições são mais participadas.

Multilateralismo

A 12 de Setembro de 2001, o Le Monde fazia a manchete "Somos todos americanos". Uma unanimidade que os atentados de 11 de Setembro criaram mas a que fotografias de militares a humilhar prisioneiros em Abu Ghraib e relatos de tortura em Guantánamo puseram fim. Depois do unilateralismo de Bush, o seu sucessor tem como tarefa recuperar a imagem e credibilidade dos EUA. Para isso terá de liderar a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Só com a ajuda dos seus aliados, sobretudo europeus, os EUA conseguirão manter a posição de superpotência mundial perante novos rivais, como a China ou a Índia, e velhos inimigos, como a Rússia. A recente guerra na Geórgia mostrou que os desejos expansionistas de Moscovo estão longe de ter desaparecido com o fim da Guerra Fria .

Segurança social e saúde

Os EUA são o único país rico e desenvolvido que não tem saúde gratuita e universal para todos os seus cidadãos. De facto, 47 milhões de americanos não têm seguro de saúde, o que representa 16% do total da população. Nos últimos anos, o debate sobre a reforma de segurança social marcou todas as administrações que passaram pela Casa Branca, tendo ficado para a história o fracasso da proposta de Hillary Clinton em 1993. A então primeira dama pretendia que todos os americanos e imigrantes nos Estados Unidos estivessem cobertos por um seguro de saúde, sendo proibidos de desistir de um sem antes terem contratado um outro. Abaixo de um determinado rendimento, este seguro era gratuito. Apesar de os democratas terem a maioria no Congresso na altura, este chumbou a proposta de Hillary. A questão tem-se então vindo a arrastar deste então, tendo sido relegada para segundo plano durante os dois mandatos de Bush. E caberá agora ao seu sucessor encontrar uma solução que proporcione cuidados de saúde para todos e que consiga a aprovação do Congresso.

Energia e ambiente

Os Estados Unidos consomem mais de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Doze milhões dos quais são importados. Isto significa que num ano Washington gasta 475 mil milhões de dólares do seu orçamento só em combustível, muito do qual comprado a países que a Administração americana classifica como suspeitos. Supondo que os preços do petróleo continuem altos, o próximo presidente terá de investir num solução que pode passar pelo desenvolvimento das energias alternativas. E não é possível falar em energia sem falar em ambiente. Maior poluidor mundial - cada americano produz por ano 19,4 toneladas de dióxido de carbono (um chinês produz 5,1 toneladas) - os EUA recusaram ratificar o Protocolo de Quioto, que expira em 2012. E parece agora pouco provável que o sucessor deste no objectivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa possa ser assinado em Copenhaga no final de 2009 uma vez que tanto a China como os EUA se recusam a participar nas discussões.

Economia

Quando George W. Bush tomou posse, em Janeiro de 2001, a economia americana estava a crescer 3% ao ano e a dívida nacional era de seis biliões de dólares. Hoje, esta ascende a dez biliões e a economia está ameaçada de recessão pela grave crise que está a afectar o sistema financeiro mundial e já obrigou a Administração Bush a criar um plano para de 700 mil milhões de dólares para salvar os bancos da falência. Caberá ao novo Presidente recuperar a confiança nas instituições financeiras americanas e reformar um sistema internacional (Banco Mundial e FMI) cujo falhanço mergulhou o país e o mundo nesta crise. Outro desafio será o de diminuir a taxa de desemprego. Os números divulgados em Setembro situam-se nos 6,1%, o valor mais alto dos últimos cinco anos. Reduzir ou não os impostos será uma opção que irá depender de quem chegar à Casa Branca.

Supremo Tribunal.

Foi talvez um dos assuntos menos debatidos durante a campanha, mas reformular o Supremo Tribunal dos EUA pode ser uma das tarefas do próximo Presidente que mais influência pode ter sobre a vida dos americanos. Nomeados de forma vitalícia, os juízes da mais alta instância judicial dos EUA têm uma tradição de resignar quando a idade começa a pesar. E com John Paul Stevens quase a chegar aos 90 anos e quatro outros juízes com 70 ou mais é muito provável que o sucessor de Bush tenha de fazer algumas nomeações. Nos seus dois mandatos, Bush escolheu os conservadores John Roberts e Samuel Alito, cuja juventude (um tem 53 anos, o outro 58) garante, teoricamente, algum conservadorismo nas próximas décadas. Resta saber se as escolhas do próximo Presidente reforçam essa tendência, pondo em causa, por exemplo, o direito ao aborto, ou se fazem pender a balança para o lado liberal.
Ameaça Nuclear
Se o regime dos ayatollahs continuar a enriquecer urânio ao ritmo a que se pensa estar a fazer agora, o próximo Presidente dos EUA deverá confrontar-se com uma decisão muito séria: aceitar um Irão com armas nucleares ou optar pela solução militar. A república islâmica já deixou bem claro que pretende levar os seus objectivos - que garante terem fins apenas civis, para produção de energia - até ao fim. E Washington, ao aceitar um acordo de cooperação nuclear com a Índia, já provou ter dois pesos e duas medidas nesta questão. O outro foco de tensão nuclear é a Coreia do Norte, que, inclusive, já terá testado a bomba. Mas, neste caso, a retórica belicista dos EUA tem sido substituída por uma atitude dialogante. Resta saber o que acontece em Pyongyang se se confirmarem os rumores de que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, está doente. A sua morte, além de provocar um possível êxodo de população para a Coreia do Sul, levanta sérias dúvidas sobre quem lhe irá suceder à frente de uma provável potência nuclear
Fonte: Diario de Noticias

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama é o novo Presidente dos Estados Unidos


Eleições EUA 2008
05.11.2008 - 04h00

Barack Obama foi hoje eleito o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América, quando os relógios marcavam 04h00 em Portugal, de acordo com as projecções avançadas pelas televisões americanas.O senador do Illinois torna-se assim o primeiro Presidente afro-americano dos Estados Unidos depois de uma vitória histórica contra o seu rival republicano John McCain, de 72 anos.
Obama conseguiu resistir a umas renhidas primárias frente à candidata Hillary Clinton e acabou por se transformar num fenómeno de popularidade nos EUA e em todo o mundo.Barack Hussein Obama, de 47 anos, prestará juramento no dia 20 de Janeiro de 2009.

O próximo Presidente terá que lidar no imediato com uma série de questões urgentes com que se debate a Administração americana, incluindo a crise económica, o fim da guerra no Iraque e a reestruturação do sistema de saúde nos EUA. No campo da Política Externa, Barack Obama terá igualmente que enfrentar uma série de "dossiers quentes" como o da desnuclearização do Irão, o conflito israelo-árabe e a constante atitude de desafio da Coreia do Norte.

Quando foi anunciada a vitória do senador democrata, cerca de um milhão de pessoas reunidas no Parque Grant, em Chicago, gritou em uníssono o nome de Barack Obama e o "slogan" eleitoral "Yes, we can".Esperam-se em breve as declarações de vitória de Obama e o discurso de derrota de John McCain.
Fonte: www.publico.clix.pt

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Como vai reagir Wall Street ao novo presidente dos EUA?

Energia, finanças ou defesa são alguns dos sectores que vão reagir às eleições nos Estados Unidos. Saiba como vão ser afectados.

Patrícia Abreu
pabreu@mediafin.pt


É hoje que os americanos vão às urnas eleger o próximo presidente. O democrata Barack Obama ou o republicano John McCain, um dos dois será o futuro presidente dos Estados Unidos. E, de quatro em quatro anos, a pergunta repete-se: qual será o melhor candidato para os mercados?


Para os analistas, uma administração republicana será mais favorável aos sectores petrolífero, farmacêutico e da defesa. Já numa gestão de Obama deverão ser beneficiadas as energias renováveis e os biocombustíveis.


Apesar de tradicionalmente se pensar que as bolsas beneficiam com uma vitória republicana, é com os democratas que os índices registam melhores "performances".

Com propostas de governação diferentes, o impacto nos mercados será distinto caso seja eleito Obama ou McCain. Os sectores que tendem a suportar melhor a candidatura republicana, como as grandes farmacêuticas, as petrolíferas e a defesa serão os grandes perdedores numa eleição democrata.


"A defesa, a saúde e as indústrias do sector financeiro podem ser favorecidas por uma vitória republicana. Energias alternativas, indústrias de vento, água e energia solar podem ser favorecidas por uma vitória democrata", adiantou James Swanson, responsável pela estratégia de investimento da gestora MTS, citado pela Citywire.


Obama defende um investimento de 150 mil milhões de dólares durante dez anos em energias limpas e quer que 25% da energia consumida no país provenha de fontes sustentáveis.


Já o republicano manifesta-se favorável à exploração de petróleo no Alasca e é contra a atribuição de subsídios ao etanol, pelo que beneficia o sector petrolífero no país.


O sector da defesa é outro dos que normalmente é beneficiado por uma gestão republicana.

Mas Robert Doll, responsável pelo investimento de acções globais do BlackRock, citado pelo "Wall Sreet Journal", considera que é um erro pensar que uma vitória de McCain vai ter um impacto imediato no sector. "Dado o tempo que leva a ter efeito no orçamento da defesa, vai haver uma menor diferença nos primeiros anos".


A presidência da maior economia do mundo decide-se amanhã. Um e outro candidato afectam a bolsa de formas diferentes.Quedas dos mercados indiciam vitória de candidato democrata

As quedas recentes das bolsas americanas podem estar a descontar uma vitória de Obama nas eleições de amanhã. Segundo uma análise do BPI, "no passado, a evolução dos mercados accionistas serviu como barómetro para o resultado das eleições presidenciais".


Ou seja, os mercados têm uma preferência pela continuidade e "quando nas semanas anteriores às eleições, os índices americanos sobem, existe uma probabilidade razoável para que o presidente em funções ou o sucessor escolhido pelo seu partido seja eleito".


Vitória de Obama


Finança


Deverá enfrentar uma maior pressão com uma vitória de Obama, pois o candidato defende mais impostos sobre os dividendos, bem como um aumento da regulação, o que penaliza os "hedge funds".


Energia


Uma das marcas do democrata passa pelo incentivo às energias renováveis, que deverão receber um impulso com uma vitória de Obama. Também a indústria de produção de etanol seria beneficiada.


Saúde


O candidato apoia um plano de saúde universal, bem como uma maior concorrência entre as farmacêuticas, para levar a uma diminuição dos preços dos medicamentos.


Defesa


O democrata defende uma política militar dos EUA menos interventiva. Obama deverá diminuir as despesas com o sector, direccionando esses fundos para empresas tecnológicas mais avançadas.


Vitória de McCain


Finanças


McCain deverá tornar permanentes os cortes de imposto do actual presidente dos EUA e sugere que o governo absorva as perdas originadas pela crise do crédito de alto risco.


Energia


A política energética de McCain deverá ser de continuação da política de Bush. O republicano é ainda defensor da exploração de petróleo na costa dos EUA, além de ser contra a atribuição de subsídios ao etanol. O candidato aposta ainda no nuclear.


Saúde


As farmacêuticas serão um dos sectores vencedores com uma vitória de McCain. O republicano não deverá prejudicar a actividade da indústria farmacêutica, ao contrário do rival.


Defesa


McCain defende uma posição militar dos EUA mais activa, pelo que deverá beneficiar o sector. Ainda assim, num momento em que a crise financeira domina não deverão ocorrer muitas alterações nesta área.


O que dizem os gestores portugueses.


Novo presidente ajudará a repor confiança na economia e animar os mercados de acções


O próximo presidente americano não tem uma tarefa nada fácil. Com uma crise financeira pela frente e a economia em recessão, o novo líder da maior economia mundial vai ter de canalizar as suas atenções para revitalizar a actividade económica. Ainda assim, os gestores de fundos portugueses consideram que uma mudança poderá ajudar a restaurar a confiança e animar os mercados.


Para Hugo Custódio, gestor do fundo Espírito Santo Acções América, apenas a médio e longo prazo é que as mudanças ao nível da administração se deverão tornar evidentes e, neste âmbito, considera que Barack Obama deverá ser a melhor opção para os mercados. "Uma reacção positiva dependerá, no entanto, da capacidade que o novo presidente terá em transmitir uma mensagem de confiança e de forte liderança", realçou o gestor, ao Negócios, adiantando que "por agora, Obama é visto como o candidato melhor posicionado para o conseguir atingir".


Já o Santander Gestão de Activos realça que, "independentemente de qual o candidato vencedor, a redução de incerteza quanto à política futura, bem como, a execução mais rápida da mesma, tenderá a ser positiva para restaurar a confiança na economia, com natural possível leitura positiva também para os mercados accionistas". A mesma fonte lembra que desde 1944, nos dois meses antes da eleição, o S&P 500 obteve valorizações médias de 2,3%, logo "se a história se repetir poderemos ver uma recuperação nos dois últimos meses do ano por parte dos mercados accionistas". Contudo, acrescenta que "a história também nos diz que nos dois meses anteriores a uma eleição registam-se uma subida de 1,4%, facto que este ano não se verificou".


Neste contexto, Hugo Custódio manifesta-se mais positivo em relação aos sectores mais resistentes à crise, nomeadamente "empresas com maior visibilidade nos seus resultados, com valorizações atractivas e com balanços saudáveis e sem necessidade de financiamento no curto prazo".


Quanto aos diferentes sectores, "do ponto de vista teórico, a indústria financeira prefere uma governação republicana, devido às suas políticas menos proteccionistas, no entanto este é seguramente um momento diferente", lembra o mesmo gestor. Em relação a este tema, o BPI, numa análise da última semana, destaca que "a tendência por uma regulamentação mais rigorosa e apertada deverá ser inevitável, independentemente de quem pertença a vitória".


O Santander Gestão de Activos destaca que, seja qual for o vencedor, "será de esperar a continuação do aumento do endividamento externo dos Estados Unidos", devido aos gastos com programas eleitorais, redução de impostos e mais subsídios às classes menos favorecidas.

Fonte:Jornal de Negocios

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eastern Europe 2008 = Southeast Asia 1997

PAUL KRUGMAN

Eastern Europe 2008 = Southeast Asia 1997
From Bloomberg:
Foreign-denominated loans helped fuel eastern European economies including Poland, Romania and Ukraine, funding home purchases and entrepreneurship after the region emerged from communism. The elimination of such lending is magnifying the global credit crunch and threatening to stall the expansion of some of Europe’s fastest-growing economies.
The key to the Asian crisis — and of Argentina’s collapse in 2002 — was the way domestic players leveraged themselves up with foreign-currency loans. When the capital inflows dried up, and the Asian currencies plunged, these debts suddenly became a much bigger burden, decimating balance sheets and causing a downward spiral of deleveraging.
Fonte:http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/10/31/eastern-europe-2008-southeast-asia-1997/

Evolução das taxas de câmbio do Dólar americano

Uma das grandes transformações que se deu na economia internacional desde meados deste ano e que, face aos problemas com que se tem defrontado a economia americana, tem provocado a estranheza de muita gente é a valorização que o USD tem conhecido face a outras moedas.
No gráfico abaixo está registada a evolução face a algumas das principais:

Como se pode ver, deu-se uma fortíssima valorização do USD face ao dólar australiano acompanhada por uma valorização não tão forte --- mas ainda assim muito importante --- relativamente ao Euro e à Libra inglesa. E tudo a partir de Julho deste ano.Das principais moedas apenas o Iéne japonês conheceu alguma valorização face ao USD.Esta valorização do USD face às principais moedas do sistema financeiro internacional foi acompanhada pela que se verificou em relação a várias moedas asiáticas, particularmente a Rupia indonésia, o Bath tailandês e o Dólar de Singapura. O Renmimbi, a moeda chinesa, conheceu uma ligeira valorização face ao USD.

A Rupia indonésia, em particular, tem conhecido uma significativa desvalorização nos últimos tempos, com o câmbio por USD a aumentar dos cerca de 9200 rupias/USD de meados deste ano para os actuais cerca de 10800. Isto são boas notícias para Timor Leste já que as suas importações ficam agora mais baratas, reduzindo-se também a pressão para o aumento dos preços internos de Timor, i.e., havendo oportunidade para se verificar alguma redução da taxa de inflação.

Mas como não há bela sem senão, esta evolução significa também que o incentivo a depender cada vez mais das importações e o desincentivo à produção nacional de bens é cada vez maior...
Fonte das imagens: © 2008 by Prof. Werner Antweiler, University of British Columbia, Vancouver BC, Canada.
http://fx.sauder.ubc.ca/
Fonte:A. M. de Almeida Serra

Informação sobre os chamados "Fundos Soberanos"

Um Fundo Soberano (Sovereign Wealth Fund na sua designação corrente em inglês) é um fundo de natureza financeira cujo proprietário é o Estado de um país. O Fundo Petrolífero de Timor Leste é um exemplo de Fundo Soberano.Na internet é possível encontrar informação sobre eles. Uma "porta de entrada" para o assunto pode ser a rubrica correspondente na conhecida Wikipedia. Este texto está em inglês e tem mais informações que a sua versão (reduzida) em português que pode ser consultada aqui.
Fonte: A. M. de Almeida Serra

Evolução recente do preço internacional do arroz

Como se pode verificar pelo gráfico acima, algo contrariamente às expectativas existentes no início deste ano o preço internacional do arroz tem vindo a baixar consistentemente, situando-se hoje a um preço (664 usd/ton) muito menor que o que chegou a ter no início do ano (mais de 1000 usd/ton).Ainda assim o preço actual é cerca do dobro do que se verificava no final de 2007, antes de, por influência de vários factores (especulação com as commodities, más colheitas, restrição à exportação por alguns países e desvalorização do dólar), ter começado a subir, a subir, a subir...
Fonte:A. M. de Almeida Serra